Universidades e Agências de Emprego
Ao longa das últimas décadas, à medida que a chamada Economia de Mercado se foi transformando em estrutura básica de funcionamento de todas as sociedades e a globalização consequente estabeleceu um padrão normativo universal para o funcionamento dos nossos quadros mentais, a vida Universitária foi sofrendo subtilmente uma modificação profunda da sua própria essência, cujos resultados estão agora claramente à vista. Se continuarmos a afirmar, como tradicionalmente o fazíamos, que uma Universidade não é uma agência de empregos , estamos pura e simplesmente a mentir. A tendência generalizada para a organização do ensino universitário, em Portugal e no resto do Ocidente, é hoje cada vez mais no sentido de compactar os cursos e economizar os recursos, de maneira a formar, num espaço de tempo tão curto quanto possível, novas fornadas de técnicos altamente especializados, prontos a ingressarem imediatamente no mercado de trabalho para a execução de funções muito precisas, mas cada vez mais destituídos de conhecimentos gerais e perspectivados, tanto no complexo historico-social que nos envolve, como na sua área de estudo. Confirmada recentemente pelas propostas saídas dos Acordos de Bolonha, esta concepção economicista da Universidade fica bem patente, por exemplo, na necessidade sentida por directores de Conselhos Científicos, Departamentos, ou cursos, de acrescentarem o adjectivo sustentável ao enunciado das suas ofertas. Se juntarmos a este quadro o novo panorama laboral, em que a licenciatura é a condição sine qua non para o acesso ao emprego, bem como o novo panorama social, em que possuir uma licenciatura é a condição sine qua non para o ingresso na vida adulta, poderemos concluir que, a sermos brutalmente honestos, deveríamos antes chamar às actividades que hoje em dia se desenvolvem ao abrigo da chancela académica qualquer coisa como Serviço Profissional Obrigatório . A Universidade tal como existiu até ao século XX está irreversivelmente em vias de extinção.
Que Universidade era essa?
Um espaço privilegiado dedicado ao florescimento da investigação e do conhecimento. Um locos protegido para a germinação de ideias, o confronto de alternativas, a exploração do passado como chave para o entendimento pleno do presente, o debate por onde se definiam as linhas da frente de modelação do futuro. Uma rede estendida sobre o mundo por onde circulavam mestres e discípulos comprometidos com o anonimato de vidas inteiras de estudo e publicação ao serviço da construção e consolidação do edifício da inteligência humana. Um mundo onde escolhiam viver aqueles que, acima de tudo, gostavam do conhecimento pelo prazer que ele proporciona. Por Universidade entendia-se um local de aprendizagem, reflexão, inovação, controvérsia, e não raramente provocação, dificilmente compatível com as características do espaço actual por onde se escoa a massa estudantil destinada a aprender depressa qualquer coisa útil sendo que, por útil , se entende cada vez mais, e cada vez mais exclusivamente, " que permita rapidamente ganhar muito dinheiro .
Educados no espírito da Universidade como lugar de conhecimento, muitos académicos da nossa geração recordam ainda o desânimo que sentiram quando se estrearam nas actividades de docência e constataram que, por exemplo, um número significativo de alunos de cursos científicos já não estava interessado em aprender as nossas matérias porque o que estávamos a ensinar era lindo e emocionante. Esses alunos estavam antes a tolerar-nos com uma impaciência bastante visível, porque aquilo contava para a nota. A única coisa que realmente lhes interessava, dizíamos nós todos pesarosos, era descobrir primeiro a cura para o cancro . Volvidas ainda nem duas décadas, temos que aceitar que até a cura para o cancro já passou de moda: se continua a interessar, é porque o mais provável é que sirva para ganhar dinheiro. E só isso, apenas isso, é que é útil .
Perante uma noção tão redutora da conotação de útil (que, para piorar o cenário, não reflecte exactamente uma degeneração das novas gerações, mas antes deriva de uma enorme pressão exercida a partir de cima pelos estrategas modernos do Ensino Superior), sentimo-nos compelidos a festejar o inútil numa demonstração pluridisciplinar da pujança e do brilho do conhecimento académico. Depois de dezenas de anos a estudar, exactamente porque foi esta a vida que escolhemos, sabemos coisas bizarras que mais ninguém sabe, umas exóticas, outras perturbantes, outras acabadas de descobrir e ainda em processo e digestão todas interessantes, todas extraordinariamente úteis do ponto de vista de enriquecermos e maturarmos o nosso entendimento da aventura da humanidade no mundo, todas perdidamente inúteis no que toca a permitir-nos ganhar muito dinheiro só porque as sabemos. É essa arca do tesouro hoje tão ameaçada que pretendemos partilhar com o público, a título de alternativa para o Serviço Profissional Obrigatório, e de contribuição para a criação de um novo espaço académico que urge inventar.
Clara Pinto Correia
Coordenação de Biologia - Telf. 217515573 . Fax. 217515591 . E-Mail. sandra.abrantes@ulusofona.pt



The Human cloning: Can it be made safe?
In an article available free online in this month's issue of Nature Reviews Genetics , Susan Rhind et al . examine the risks involved in such procedures.
What make a memory?
Modern theories of memory storage have largely focused on persistent, experience-dependent changes in synaptic function such as long-term potentiation and depression. But in addition to these synaptic changes, certain learning tasks produce enduring changes in the intrinsic excitability of neurons by changing the function of voltage-gated ion channels, a change that can produce broader, even neuron-wide changes in synaptic throughput.
The roots of astrobiology are found in the 10 distinct goals set by the National Aeronautics and Space Administration (NASA) Astrobiology Institute. These objectives can be summarized into three branches: How does life begin and develop? Does life exist elsewhere in the universe? What is life's future on Earth and beyond?